Conde Claros preso v9

IGR: 0366. Versión: 9. Rima: á. Hemistiquios 56.

Alfândega da Fé s. l. (c. Alfândega da Fé, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Deixe-me, ó Senhor Dom Carlos,    que me quero ir lavar:
naquele tanque de água    me quero desenganar.
Eu não a deixo, menina,    eu não a hei de deixar:
pomba que eu tenho na mão    não a deito a avoar.
Florido, que estás vendo,    a el-rei não vás contar:
darei-te uma tença    p`ra cada dia gastar;
darei-te uma donzela    para com ela casar.
O ladrão do Florido    não se quis acomodar,
foi a contar-le a el-rei    donde andava a passear.
Deus vos guarde, ó Majestade,    não vos valeu o passear,
vi andar a Claralinda    com Dom Carlos a brincar.
Se mo dissesses em casa,    tenças lh`havia de dar;
assim mo dizes no campo,    a vida lh` há de custar.
Por quem se tocam os sinos,    por quem se estão a dobrar?
É pelo triste Dom Carlos    que vão a enforcar,
por brincar com Claralinda,    filha de sangue real.
Dá-me cá essa viola,    que lhe quero pôr a mão,
quero tocar a sinais,    da raiz do coração.
Olha que mãe tão ingrata,    tão cheia de ingratidão!
Vê o seu filho à morte,    `stá-lhe tocando paixão!
Ó meu filho, foste muito    atrevido e libaral:
a brincar com Claralinda,    filha de sangue real.
Por quem se tocam os sinos,    por quem se estão a dobrar?
Pelo triste Dom Carlos,    que estão a enforcar.
Anda cá, ó minha aia,    depressa, não devagar:
toma lá as minhas chaves,    vai-o a desencarcerar.
Deus te salve, Claralinda,    mais linda que o mesmo sol,
que [me] vieste tirar    da escuridão maor!

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2000: -28b e. maor (sic).

Bibliografía:
Recogido antes de 1896. Publicada en Leite de Vasconcellos 1896, 189-190. Reeditada en RGP I 1906, (reed. facs. 1982) 314-315; Leite de Vasconcellos 1958-1960, 483-484; Redol 1964, 290-291 y Pinto-Correia 1987a, 236-237 (y Pinto-Correia 1994, 153-154); RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 226, pp. 392-393. © Fundação Calouste Gulbenkian.