Conde Claros preso v8

IGR: 0366. Versión: 8. Rima: á. Hemistiquios 38.

Portugal s. l. (Portugal)

Estando a Claralinda    com Dom Bertoldo a folgar,
ao pé de um roseiral,    debaixo do laranjal,
passou um pajem d` el-rei:    Ó pajem, não vás contar,
dou-te tantas bolsas de oiro    quantas tu possas levar.
O pajem tudo o que viu,    a el-rei o foi contar,
à casa da estudaria    aonde estava a estudar.
Se em segredo mo dissesses,    pensão te havia de dar;
disseste-lo aqui tão alto,    logo te mando enforcar.
Tocam nos sinos na sé,    Dom Bertoldo a degolar.
A Claralinda que o soube,    na campa se foi deitar.
O pai assim que o soube,    logo a mandou matar.
Fez no jardim uma cova,    para ambos enterrar.
Na boca de Claralinda,    nasceu um lindo rosal,
na boca de Dom Bertoldo,    nasce um grande pinheiral.
El-rei assim que o soube,    logo os mandou cortar,
que os fizessem em lenha    para no lume queimar.
Cortados e recortados,    tornaram a rebentar,
e o vento que os encostava,    eles iam-se abraçar:
pois vinha de Deus mandado    que deviam de casar.

Otros datos:
Nota: Conde Niño, vv. 11-19;

Nota de Garrett: Veja a pág. 179 [Garrett refere-se à página do manuscrito] que o final do romance de `Girinaldo` pertence a este; pois o fim de Eginard (Gerinaldo) não foi a morte violenta como em este.

Bibliografía:
Recogido antes de 1851. Publicada en ms. de Almeida Garrett, incluído en el `Cancioneiro de Romances Xácaras e Solaos`, depositado en la sala Ferreira Lima de la Fac. de Letras de la Universidad de Coimbra, pp. 240-241). Reeditada en RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 225a, pp. 391-392. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0049 Conde Niño contam.]