Conde Claros preso v7

IGR: 0366. Versión: 7. Rima: á. Hemistiquios 76.

N/A (facticia)* (Portugal)

Meia-noite já é dada,    os galos querem cantar,
o conde Claros na cama    não podia repousar.
Chamou pajens e escudeiros,    que se quer já levantar;
que lhe tragam de vestir,    que lhe tragam de calçar.
Deram-lhe uma alva camisa,    que el-rei a não tinha tal;
deram-lhe saio de seda,    cintura de oiro e firmal.
Trazem-lhe esporas doiradas    para com elas montar;
cavalgou no seu cavalo,    pôs-se logo a caminhar.
Deus te salve, Claralinda,    tão cedo estás a bordar?
Salve-te Deus, conde Claros!    Donde vais a caminhar?
Aos moiros me vou, senhora,    grandes guerras guerrear.
Que belo corpo que tendes    para com eles brigar!
Melhor o tenho, senhora,    para convosco folgar.
Palavras não eram ditas    um pajem que ia a passar.
As palavras que são ditas,    a el-rei vou já contar.
Palavras que ditas são    a el-rei não vás levar;
dar-te-ei de oiro e de prata    quanto possas carregar.
Não quero oiro nem prata,    se oiro e prata me heis-de dar;
quero guardar lealdade    a quem na devo guardar,
as palavras que são ditas,    a el-rei as vou contar.
Foi dali o bom do pajem    andando de bom andar
à casa da estudaria,    onde el-rei estava a estudar:
Deus vos salve, senhor rei,    e a vossa c`roa real!
Lá deixei o conde Claros    com a princesa a folgar.
Se à puridade o dissesses,    tença te havia de dar;
mas pois tão alto falaste,    alto hás-de ir a enforcar.
Castigar os chocalheiros    boa justiça real,
mas o pobre conde Claros    também vai a degolar.
Vinde, vinde, Claralinda,    como estais a descansar!
Vinde ver o conde Claros    que el-rei o manda matar.
Acudi, minhas donzelas,    vinde-me acompanhar;
que se el-rei lhe não perdoa,    com ele quero acabar.
Deus vos salve, senhor rei,    e a vossa c`roa real!
Que vos fez o conde Claros    para o mandardes matar?
Se eu tivera outra filha    para em meu reino reinar,
juro-te, ó Claralinda,    que o ias acompanhar.
Mas toma-o tu por marido,    por genro o quero eu tomar;
e ninguém mais nesta corte    se atreva a mexericar.
Variantes: -2a Conde Claros em seu leito – Alentejo. -5 Que el-rei a não tinha igual – Minho. -10 Tão cedo a caminhar – Lisboa. -13 Para com damas folgar – Beira Baixa. -21a Foi dali o pajenzito – Alentejo. -32 Com ele me hão-de matar – Minho. -38 A lição da Estremadura acrescenta aqui: –Ganhaste, mexeriqueiro, / com o teu mexericar! // –Ganhei a morte, senhora; / e a vida me podeis dar. // –Se ela está na minha mão, / a vida não te hei-de dar: // para outra não fazeres / já irás a degolar, // e ao rabo de meu cavalo te mandarei arrastrar.    

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2000: Versão do Alentejo, Minho, Beira Baixa, Estremadura e Lisboa. Luís Chaves 1943b edita parcialmente esta versão. L.A.Costa Dias (1988) edita a partir do manuscrito depositado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Bibliografía:
Recogido antes de 1851. Publicada en Almeida Garrett 1843; 1851; 1851, II. 213-217 y RGP I 1906, (reed. facs. 1982) 306-309 Reeditada en Chaves 1943b, 102-103; Lima 1959a, 1959) 77-79; Redol 1964, 484-485; Nascimento 1982, 156-157; Viana 1985, 94-96; Costa Dias 988, 161-162 y Pinto-Correia 1987a, 224-226 (y Pinto-Correia 1994, 145-146; RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 225, pp. 390-391. © Fundação Calouste Gulbenkian.