Conde Claros preso v5

IGR: 0366. Versión: 5. Rima: á. Hemistiquios 104.

Brasil s. l. (Brasil)

Deus vos salve, senhor D. Carlos;    o senhor que fazia lá?
Me arrumando, senhora,    para contigo brincar.
Quando estavam a brincar,    um cavaleiro vêem passar.
D. Carlos, como ardiloso,    logo quis o degolar.
Não me mate o cavaleiro,    qu` é do reino de meu pai.
Cavaleiro, o que aqui viste    a meu pai não vai contar,
qu` eu te darei ouro e prata,    quanto possas carregar.
Eu não quero ouro e prata,    que a senhora não mos dá;
brinquedos que vi aqui,    a meu rei irei contar.
Cavaleiro, o que aqui viste    a meu pai não vai contar,
qu` eu te darei minha sobrinha    para contigo casar.
Não quero sua sobrinha,    que a senhora não ma dá;
folguedos que vi aqui,    a meu rei irei contar.
Cavaleiro, o que aqui viste    a meu pai não vai contar;
te darei o meu palácio    com todo o meu cabedal.
Não quero o seu cabedal,    que a senhora não mo dá,
que isto que eu vou contar    muito mais me ganhará.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Novas vos trago, senhor,    novas eu vos quero dar:
eu topei a Claraninha    com D. Carlos a brincar.
Da cintura para riba    muitos beijos eu vi dar;
da cintura para riba    não vos posso mais contar.
Si me contasses oculto,    meu reino te havera dar;
como contaste de público,    mandarei-te degolar.
Vão-me buscar a D. Carlos,    depressa, não devagar,
carregado bem de ferros,    que não possa-me falar.
Vão buscar meu tio bispo,    qu` eu me quero confessar
antes que chegue a hora    que me venham degolar.
Deus vos salve, meu sobrinho,    qu` em sua prisão está.
Por amor de Claraninha    lá te vão a te matar.
Toda a vida eu te disse    que tu deixasses de amar;
Claraninha era impedida,    poderiam te matar.
Saia-se daqui, meu tio,    não me venha a enfadar;
mais val` eu morrer por ela    do que deixá-la de amar.
Chiquitinho, Chiquitinho,    que sempre me foi leal,
vai dizer à Claraninha    que já me vão me matar:
si meus olhos vir os dela,    minha alma se salvará.
Deus vos salve, Claraninha,    que no seu estrado está;
D. Carlos manda dizer    que já vai se degolar.
Criadas, minhas criadas,    si quereis me acompanhar,
eu já me vou com o cabelo    faltando por entrançar.
Justiça, minha justiça,    minha justiça real,
por aquele que está ali    minha vida eu irei dar.
Deus vos salve, senhor D. Carlos,    não se dê a desmaiar;
si a minha alma se perder,    a sua se salvará.
Conselheiros, conselheiros,    que conselhos quereis dar:
qu` eu mate senhor D. Carlos,    ou que os mandarei casar?
O conselho que vos damos    é para os mandar casar,
e pegai este arengueiro    e mandai-o degolar.
Arengueiro, embusteiro,    o que ganhaste em contar?
Ganhei a forca, senhora;    dela vinde-me tirar.
Si eu quisera, bem pudera,    pois nas minhas mãos está;
para te servir de emenda    mandarei-te degolar.
Título original: CONDE CLAROS E A PRINCESA ACUSADA (Á) (=SGA B10)    

Otros datos:
Nota: Los versos 1-21 corresponden la Con el título Conde Claros preso abarcamos la parte del viejo romance que Armistead denomina Conde Claros y la princesa acusada: vv. 1-21 y la subsiguiente prisión del Conde Claros: vv 22-52, que falta en la gran mayoría de las versiones modernas, que suelen pasar del encuentro de los jóvenes y su delatación al rey a la condena de ella a morir quemada (Conde Claros en hábito de fraile)

Bibliografía:
Recogida por Sílvio Romero, antes de 1883. Publicada en Romero 1883, 7. Reeditada en Costa Fontes 1997b, Índice Temático (© HSA: HSMS), pp. 68-69, B2.