Conde Claros en hábito de fraile v75

IGR: 0159. Versión: 75. Rima: á. Hemistiquios 46.

Trás-os-Montes e Alto Douro s. l. (Trás-os-Montes, Portugal)

Palomba, ó Palombinha,    mal soubeste apalombar,
hoje te cortam na lenha    e amanhã te vão queimar.
Não se me dá que me cortem,    nem que me vão a queimar,
só se me dá do meu ventre    que é de sangue real.
Quem me dera meu irmão    ou um amigo leal,
que me levasse esta carta    ao conde de Montalbar.
Respondeu-lhe o irmão mais novo,    como homem liberal:
Faze a carta, ó Palomba,    que eu ta irei entregar.
Se o acháreis jantando,    deixarei-lo acabar;
se o acháreis dormindo,    deixarei-lo acordar;
se o acháreis no jogo,    tratareis de lhe falar.
Deus os guarde, ó meus senhores,    Deus os queira guardar!
Quem é este menino,    que tão bem sabe falar?
É o irmão da Palomba,    carta vem a entregar.
Cavaleiro leu a carta,    começou-se a desmaiar;
chamou pelo seu criado,    pelo que era mais liberal.
Aparelha-me esse cavalo,    depressa, não devagar,
aperta-lhe bem a cilha    e afrouxa-lhe `ó peitoral.
Jornadinha de três dias    em três horas se há-de andar.
Deus os guarde, meus senhores,    Deus os queira guardar,
que essa mulher que aí levam,    ela vai por confessar.
Subam-na ao meu cavalo    que eu a quero confessar.
Levantem no rabo ao cavalo,    no cu o queiram beijar.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Otros datos:
Notas del editor de RºPortTOM 2000: Omitimos a seguinte didascália: depois de -23 E fugiu com ela. Geografia atribuída.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 83-84. Reeditada en Pinto-Correia 1987a, 320-321; Pinto-Correia 1994, 207 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 141, pp. 275-276. © Fundação Calouste Gulbenkian.