IGR: 0159. Versión: 75. Rima: á. Hemistiquios 46.
Trás-os-Montes e Alto Douro s. l. (Trás-os-Montes, Portugal)
Palomba, ó Palombinha, mal soubeste apalombar,
hoje te cortam na lenha e amanhã te vão queimar.
Não se me dá que me cortem, nem que me vão a queimar,
só se me dá do meu ventre que é de sangue real.
Quem me dera meu irmão ou um amigo leal,
que me levasse esta carta ao conde de Montalbar.
Respondeu-lhe o irmão mais novo, como homem liberal:
Faze a carta, ó Palomba, que eu ta irei entregar.
Se o acháreis jantando, deixarei-lo acabar;
se o acháreis dormindo, deixarei-lo acordar;
se o acháreis no jogo, tratareis de lhe falar.
Deus os guarde, ó meus senhores, Deus os queira guardar!
Quem é este menino, que tão bem sabe falar?
É o irmão da Palomba, carta vem a entregar.
Cavaleiro leu a carta, começou-se a desmaiar;
chamou pelo seu criado, pelo que era mais liberal.
Aparelha-me esse cavalo, depressa, não devagar,
aperta-lhe bem a cilha e afrouxa-lhe `ó peitoral.
Jornadinha de três dias em três horas se há-de andar.
Deus os guarde, meus senhores, Deus os queira guardar,
que essa mulher que aí levam, ela vai por confessar.
Subam-na ao meu cavalo que eu a quero confessar.
Levantem no rabo ao cavalo, no cu o queiram beijar.
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