Conde Claros en hábito de fraile v57

IGR: 0159. Versión: 57. Rima: á. Hemistiquios 36.

Alfaião (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Palomba, ó Palombinha,    mal soubeste palombar,
hoje te vão talhar a lenha,    amanhã te vão queimar.
Não se me dá que me queimem,    nem que me queiram queimar,
só se me dá deste meu ventre,    qu` é de sangue real!
Tomara aqui um primo,    um primo que me fosse leal,
que me fosse levar uma carta    ao conde de Montealval.
Escreve-a lá, ó Palombinha,    qu` eu ta irei entregar.
Tu, como és mui nòvinho,    não lhe saberás falar.
Se o encontrares a dormir,    deixará-lo acordar;
se o encontrares na mesa,    deixará-lo acabar;
se o encontrares no passeio,    começa-lhe logo a falar:
Deixo a Vossa Alteza    e mai-la sua pessoa real.
Donde é o estremontano    que tão bem sabe falar?
Sou irmão da Palombinha    carta lhe venho entregar.
O conde leu a carta,    começou a desmaiar;
chamou pelo seu criado,    depressa, não devagar.
Aparelha-me esses cavalos,    esses de melhor montada.
Uma jornadinha de três dias    em hora e meia se hão-de andar.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    

Bibliografía:
Recitada por José Emílio Pereira. Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 76-77. Reeditada en Pinto-Correia 1987, 312-313; Pinto-Correia 1994, 202-203 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 123, p. 252. © Fundação Calouste Gulbenkian.