IGR: 0159. Versión: 57. Rima: á. Hemistiquios 36.
Alfaião (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Palomba, ó Palombinha, mal soubeste palombar,
hoje te vão talhar a lenha, amanhã te vão queimar.
Não se me dá que me queimem, nem que me queiram queimar,
só se me dá deste meu ventre, qu` é de sangue real!
Tomara aqui um primo, um primo que me fosse leal,
que me fosse levar uma carta ao conde de Montealval.
Escreve-a lá, ó Palombinha, qu` eu ta irei entregar.
Tu, como és mui nòvinho, não lhe saberás falar.
Se o encontrares a dormir, deixará-lo acordar;
se o encontrares na mesa, deixará-lo acabar;
se o encontrares no passeio, começa-lhe logo a falar:
Deixo a Vossa Alteza e mai-la sua pessoa real.
Donde é o estremontano que tão bem sabe falar?
Sou irmão da Palombinha carta lhe venho entregar.
O conde leu a carta, começou a desmaiar;
chamou pelo seu criado, depressa, não devagar.
Aparelha-me esses cavalos, esses de melhor montada.
Uma jornadinha de três dias em hora e meia se hão-de andar.
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