Conde Claros en hábito de fraile v38

IGR: 0159. Versión: 38. Rima: á. Hemistiquios 38.

Curopos (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Palomba, ó Palombinha,    mal te soubeste apalombar;
de dia te cortam a rama    e à noite ta vão queimare.
Tanto me dá que ma cortem,    como que me vão queimare;
só queria aqui um primo    ou um parente leal
que me fosse levar uma carta    ao conde de Montalbar.
O primo aqui o tens;    onde tu o queiras mandar?
Se o encontrares a dormire,    deixará-lo acordare;
se o encontrares em passeio,    deixará-lo repousare;
se o encontrares a jantare,    deixa-o acabar de jantare;
se o encontrares no jardim,    `terminarás de lhe falare.
Deus o guarde, senhor,    Deus o queira guardare.
Quem é ele o galantinho,    que tão bem sabe falare?
Sou o primo da Palomba,    que a carta lhe venho entregare.
O conde, que lia a carta,    não cessava de chorare.
Chamou um dos criados,    aquele mais liboral:
Vai-m` aparelhar o cavalo,    aquele que melhor andare;
jornadinha de três dias    em três horas s` há-d` andar.
Quando o conde chegou,    Palomba estava p`ra ir a enforcar.
Alto aí, senhor rei,    que a Palomba venho salvar.
NOTA: Nasceu no Pará, Brasil, mas veio para Curopos com 18 meses. Título en português: Conde Claros vestido de frade    

Bibliografía:
Recitada por Brígida Maria da Silva (74a). Recogida por Manuel da Costa Fontes y Maria-João Câmara Fontes, 1980. (Archivo: ASF; Colec.: Fontes TM 1980; cinta: 33B983). Publicada en Costa Fontes 1987c, I, pp. 29-30, nº 44.