IGR: 0159. Versión: 38. Rima: á. Hemistiquios 38.
Curopos (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Palomba, ó Palombinha, mal te soubeste apalombar;
de dia te cortam a rama e à noite ta vão queimare.
Tanto me dá que ma cortem, como que me vão queimare;
só queria aqui um primo ou um parente leal
que me fosse levar uma carta ao conde de Montalbar.
O primo aqui o tens; onde tu o queiras mandar?
Se o encontrares a dormire, deixará-lo acordare;
se o encontrares em passeio, deixará-lo repousare;
se o encontrares a jantare, deixa-o acabar de jantare;
se o encontrares no jardim, `terminarás de lhe falare.
Deus o guarde, senhor, Deus o queira guardare.
Quem é ele o galantinho, que tão bem sabe falare?
Sou o primo da Palomba, que a carta lhe venho entregare.
O conde, que lia a carta, não cessava de chorare.
Chamou um dos criados, aquele mais liboral:
Vai-m` aparelhar o cavalo, aquele que melhor andare;
jornadinha de três dias em três horas s` há-d` andar.
Quando o conde chegou, Palomba estava p`ra ir a enforcar.
Alto aí, senhor rei, que a Palomba venho salvar.
NOTA: Nasceu no Pará, Brasil, mas veio para Curopos com 18 meses. Título en português: Conde Claros vestido de frade