Conde Claros en hábito de fraile v111

IGR: 0159. Versión: 111. Rima: á. Hemistiquios 104.

Elvas s. l. (c. Elvas, dist. Portalegre, Alto Alentejo, Portugal)

Pus-me a fazer uma aposta,    mas eu não soube apostar,
de dormir com Mariana    antes do galo cantar:
Mariana, tão discreta,    não se deixou enganar.
foi-se pôr a romeirinha,    pela porta a passear.
Que é isso, Mariana,    pela porta a passear?
Sou filha da tecedeira,    a falta venho buscar.
A falta tenho-a eu,    vamo-nos já a andar.
Lá pela noite adiante    Mariana dava ais.
Que é isso, Mariana,    não te queiras difamar,
que teu pai é dos bons homens,    contigo me há-de casar.
Que é isso, Mariana,    que é isso, filha minha?
Isto é falta da saia,    minha mãe bem o sabia.
Chamaram o alfaiate:    Que falta tem esta saia?
Esta saia não tem falta,    falta terá quem a usa.
Confessa-te, Mariana,    trata de te confessar,
que hoje se acarreta a lenha,    amanhã te vás queimar.
Não se me dá que me queimem,    nem deixem de me queimar,
dá-se-me só do meu ventre,    que leva o sangue real.
Quem me dera um menino,    de sete anos, mais não,
que me levasse uma carta    Dom Carlos Montalvão.
Desceu um anjo do céu:    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
Aqui estou, minha senhora,    para o que eu lhe prestar.
Vai-me levar esta carta    a Dom Carlos Montalvar.
Se o achares dormindo,    deixai-o bem acordar;
se ele estiver jantando,    deixai-o bem jantar;
se o achares passeando,    aí lhe podeis falar.
Novas vos trago, senhor,    novas de grande pesar,
a vossa dama, senhor,    amanhã se vai queimar.
Ele estava a ler a carta    e os seus olhos a chorar.
Ala, ala, meus criados,    meus cavalos a ferrar,
com ferraduras de prata,    que não hajam de faltar.
Ala, ala, meus criados,    meus cavalos a selar,
que jornada de oito dias    numa hora se há-de andar.
Ele que ia ao caminho,    a justiça via andar.
Pára, pára, aí, justiça,    senão faço-te parar,
que a menina que aí vai,    `inda vai por confessar.
Pois confesse-a, senhor padre,    que nós vamos a jantar.
Confesse, menina, confesse,    saiba-se bem confessar,
que no meio dos mandamentos    um abraço me há-de dar.
Não permita Deus do céu,    nem os santos do altar,
que onde Dom Carlos pôs braços    os venha um frade pousar.
Confesse, menina, confesse,    saiba-se bem confessar,
que do meio da confissão    um beijo me há-de dar.
Não permita Deus do céu,    nem os santos do altar,
que onde Dom Carlos pôs a boca    venha um frade a beijar;
já me parece o seu rir    de Dom Carlos Montalvar.
Esse sou, ó minha amada,    da morte te vou livrar;
diz ao bárbaro de teu pai    que te venha aqui buscar;
com este punhal de prata    o hei-de assassinar!
Adeus casa de meu pai,    onde o galo canta ao meio-dia.
Venha-se embora, menina,    não fale com fantasia,
que eu tenho um navio no mar,    [. . . . . . . . . . . .]
onde canta o rouxinol,    quer de noite quer de dia.

Otros datos:
Nota: Apuesta ganada, vv. 1-10;Infanta preñada, vv. 11-14.

Bibliografía:
Recogido antes de 1901. Publicada en Pires 1900-1901b, 84-86; Pires Pires 1899-1902, (reed. en 1982) 42-43; Pires 1920,42-45 (reed. en 1986, 65-66). Reeditada en Pinto-Correia 1987a, 373-375; Pinto-Correa 1994, 242-244 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 177, pp. 330-331. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0255 Apuesta ganada and 0469 Infanta preñada, contam.]