Conde Alemán v74

IGR: 0095. Versión: 74. Rima: estróf.. Hemistiquios 37.

Portugal s. l. (Portugal)

Estando eu no meu tear,    tecendo seda amarela,
vem o Conde d` Alemanha,    três fios me tira dela.
Deixe vir meu pai    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Venha, senhor pai, ora venha,    pela sua vinda estava espirando:
estando eu no meu tear,    tecendo seda amarela,
vem o Conde d` Alemanha,    três fios me tirou dela.
Cala-te, ó minha filha,    que isso foi a brincar.
Mal o haja, ó meu pai,    tais brinquedos a mangar!
Pegou-me pelo braço,    na cama me quis deitar.
Cala-te já, ó minha filha,    vem-me pôr de jantar,
que ao depois, por sobremesa,    vai o Conde a degolar.
Venha ver, senhora mãe,    pela janela do canto,
venha ver o senhor Conde,    como lhe reluz o branco.
Venha ver, senhora mãe,    pela janela do meio,
venha ver o senhor Conde,    como reluz o vermelho.
Mal o haja, ó minha filha,    o leite que tu mamaste;
a um Conde tão bonito    a morte que lhe causaste!
Cale-se lá, ó minha mãe,    que a não ouçam na rua,
que a morte que o Conde leva    já esteve para ser sua.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 495. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 853, pp. 73. © Fundação Calouste Gulbenkian.