IGR: 0095. Versión: 36. Rima: estróf.. Hemistiquios 38.
Pinhel (c. Pinhel, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)
Já lá vem o sol nascendo, já lá vem o claro dia,
vem o Conde d` Amarantes de dormir co` a rainha.
Não o sabia el-rei nem quantos na corte havia,
só o sabia a princesa, a princesa sua filha.
As mangas desta camisa eu as não chegue a romper,
em meu pai vindo da missa quem lho não há-de dizer.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] Não lho digas, minha filha,
ele o Conde d` Amarantes de oiro te vestiria.
Não lhe quero o seu oiro, que os tenho de escumilha.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] Não lho digas, minha filha,
que ele o Conde d` Amarantes de oiro te vestirá.
Não lhe quero o seu oiro, que os tenho de damasco,
ainda meu pai é vivo, já me querem dar padrasto!
Venha embora, meu pai, santa seja a sua vinda;
ele o Conde de Amarantes, ele comigo brincar queria.
Ele é menino e moço, por zombaria o faria.
Mal hajas tu, minha filha, e o leite que mamastes;
àquela cara tão linda a morte tu lha causastes.
Cale-se lá, minha mãe, olhe se se quer calar;
a morte qu` ele levou não lha faça eu levar.