Conde Alemán v36

IGR: 0095. Versión: 36. Rima: estróf.. Hemistiquios 38.

Pinhel (c. Pinhel, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Já lá vem o sol nascendo,    já lá vem o claro dia,
vem o Conde d` Amarantes    de dormir co` a rainha.
Não o sabia el-rei    nem quantos na corte havia,
só o sabia a princesa,    a princesa sua filha.
As mangas desta camisa    eu as não chegue a romper,
em meu pai vindo da missa    quem lho não há-de dizer.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    Não lho digas, minha filha,
ele o Conde d` Amarantes    de oiro te vestiria.
Não lhe quero o seu oiro,    que os tenho de escumilha.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    Não lho digas, minha filha,
que ele o Conde d` Amarantes    de oiro te vestirá.
Não lhe quero o seu oiro,    que os tenho de damasco,
ainda meu pai é vivo,    já me querem dar padrasto!
Venha embora, meu pai,    santa seja a sua vinda;
ele o Conde de Amarantes,    ele comigo brincar queria.
Ele é menino e moço,    por zombaria o faria.
Mal hajas tu, minha filha,    e o leite que mamastes;
àquela cara tão linda    a morte tu lha causastes.
Cale-se lá, minha mãe,    olhe se se quer calar;
a morte qu` ele levou    não lha faça eu levar.

Bibliografía:
Recogido antes de 1908. Publicada en Monteiro do Amaral 1908, 102-103. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 815, p. 38. © Fundação Calouste Gulbenkian.