IGR: 0503. Versión: 96. Rima: í-a+estróf.. Hemistiquios 64.
Sobral do Campo (c. Castelo Branco, dist. Castelo Branco, Beira Baixa, Portugal)
Andando dona Silvana corredor abaixo, corredor acima,
Tocando numa guitarra, ó que estrondo ela fazia!
Seu pai acordou ao estrondo da sua filha.
Que tens tu, dona Silvana, que tens tu agora aqui?
Três manas que nós éramos estão casadas têm família,
e eu, por ser a mais formosa, também casar me queria!
Já não achas nas cortes com quem casar, minha filha!
Está o conde de Elvas, é casado, tem família.
Mande-o chamar, meu pai, à sua parte e à minha;
mande-lhe matar a condessa para casar com sua filha.
`Inda palavras não eram ditas já ele à porta batia.
Que me quer, ó senhor rei? Que me quer, que me queria?
Quero que mates a condessa, para casares com a minha filha,
e que me tragas a cabeça nesta dourada bacia.
O conde foi para casa, todo cheio de agonia.
As lágrimas eram tantas que à mesa abaixo corriam.
Conta-me, ó meu conde, conta, conta-me a tua agonia.
Se eu ta fora a contar mais penas te daria.
Conta-me, conde, conta, conta-me a tua agonia.
Mandou-me o rei matar-te para casar com sua filha.
Mama, meu filho, mama, neste leite amargurado,
amanhã, por esta hora, está tua mãe no adro.
Mama, meu filho, mama, este leite de amargura,
amanhã, por esta hora, está tua mãe na sepultura.
Anda cá, meu filho mais velho, que te hei-de ensinar,
segunda mãe que tiveres como é que lhe hás-de chamar.
Adeus, ó jardim das flores, adeus tanque de água fria,
adeus criados e criadas, a quem tanto queria!
Tocam sinos nas cortes, minha alma, quem morreria?
Morreu a dona Silvana pelas tiranias que fazia.
Morreu a filha às dez horas e o pai ao meio-dia.
Descasar os bem-casados era coisa que Deus não queria.
Variantes: -4b que trarias; -8a Montalvão.