Conde Alarcos v66

IGR: 0503. Versión: 66. Rima: í-a. Hemistiquios 48.

Penafiel (c. Penafiel, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Indo dona Silvana    pelo corredor adiante,
tocando numa guitarra,    tocando à maravilha.
Acordava seu pai da cama    co` o instrumento que fazia.
Que fazes, dona Silvana?    Que fazes, filha minha?
Sete manas que nós éramos,    todas elas são casadas,
e eu, por ser a mais nova,    por que razão ficaria?
Minha filha, dona Silvana,    a ti quem te merecia?
Merecia-me o conde de Alberto,    que é casado e tem família.
Mande-mo chamar, meu pai,    da sua parte e da minha,
que venha cá jantar    nesta mesa d` alegria.
Veio o conde de Alberto e disse:    Que quer Vossa Excelência?
Que mates tua mulher    e cases com minha filha.
Ó senhor, isso não faço,    que ela morte não merecia.
Mata, conde, mata, conde,    traz-m` os olhos nesta bacia.
O conde foi para casa,    o mais triste que podia.
Mandou fechar portas e janelas,    cousa que nunca fazia.
Assentado à mesa,    fazendo que comia,
as lágrimas eram tantas,    que pela mesa corriam.
Ela disse:    Mata, conde de Alberto, mata!
Foi-se despedir    de criadas em criadas.
Adeus, criadas, adeus,    a quem eu tanto queria!

Otros datos:
24 Adeus jardim de flores, onde me eu divertia!--

Nota del editor de RºPortTOM 2001: Omitimos a seguinte didascalia: entre -18 e -19 Ela pergunta-lhe que tinha, ele não lhe qu`ria dizer, mas sempre lho disse: que chegava a sorte de a matar.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 164. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 705, pp. 386-387. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0005 Silvana contam.]