IGR: 0503. Versión: 66. Rima: í-a. Hemistiquios 48.
Penafiel (c. Penafiel, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Indo dona Silvana pelo corredor adiante,
tocando numa guitarra, tocando à maravilha.
Acordava seu pai da cama co` o instrumento que fazia.
Que fazes, dona Silvana? Que fazes, filha minha?
Sete manas que nós éramos, todas elas são casadas,
e eu, por ser a mais nova, por que razão ficaria?
Minha filha, dona Silvana, a ti quem te merecia?
Merecia-me o conde de Alberto, que é casado e tem família.
Mande-mo chamar, meu pai, da sua parte e da minha,
que venha cá jantar nesta mesa d` alegria.
Veio o conde de Alberto e disse: Que quer Vossa Excelência?
Que mates tua mulher e cases com minha filha.
Ó senhor, isso não faço, que ela morte não merecia.
Mata, conde, mata, conde, traz-m` os olhos nesta bacia.
O conde foi para casa, o mais triste que podia.
Mandou fechar portas e janelas, cousa que nunca fazia.
Assentado à mesa, fazendo que comia,
as lágrimas eram tantas, que pela mesa corriam.
Ela disse: Mata, conde de Alberto, mata!
Foi-se despedir de criadas em criadas.
Adeus, criadas, adeus, a quem eu tanto queria!