IGR: 0503. Versión: 16. Rima: í-a. Hemistiquios 69.
Alagoas s. l. (Alagoas, Brasil)
Mandei chamar meu conselheiro pelo bem que lhe queria:
Tu mata tua condessa para casar com minha filha.
Não me diga, senhor rei, que é grande covardia;
não mato minha condessa, não caso com sua filha.
Não me digas, atrevido, . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
tu mata tua condessa e casa com minha filha
e traz a cabeça dela nesta mimosa bacia.
O que é que tem, meu conde alegre meus olhinhos de alegria?
Se lhe morreu pai ou mãe, eu sentir também queria.
Se morreu alguém na corte, eu pouco me engraçaria.
Ele mandou amornar água, que lavar os pés queria.
A água já está pronta para vossa senhoria.
Ele mandou aprontar o café, que tomar café queria.
Depois do café pronto, nem um nem outro comia,
as lágrimas já eram tantas que pela mesa corriam.
Ele mandou forrar a cama, que descansar queria.
Depois da cama pronta, nem um nem outro dormia,
as lágrimas já eram tantas que pelo colchão corriam.
Que é que tem, meu conde alegre, meus olhinhos de alegria?
Se lhe morreu pai ou mãe, eu sentir também queria.
Se morreu alguém na corte, eu pouco me engraçaria.
Não morreu ninguém na corte, nem você sentir queria.
É levar esta mimosa cabeça nesta malvada bacia.
Não me mate de punhar que é morte de covardia;
me mate com uma toalha que é morte de fidalguia;
depois corta minha cabeça e coloca na bacia.
Venha cá, meu filhinho, mamar leite de maldade,
você hoje ainda tem mãe, amanhã terá madrasta.
Venha cá, meu filhinho, mamar leite de amargura,
você hoje terá mãe, amanhã estarei na sepultura.
Os sinos estão repicando, ó meu Deus, quem morreria,
ó meu Deus quem morreu hoje para minha companhia?
Não morreu ninguém hoje para sua companhia.
Morreu a bela enfante, pelos sinais que fazia;
descasava os bem casados, coisa que Deus não queria.
Nota: vv. 24-25 el mismo motivo aparece en la versión alagoana de Bernal Francés (vv. 18-19).