IGR: 0503. Versión: 105. Rima: í-a+estróf.. Hemistiquios 72.
Lousã (c. Lousã, dist. Coimbra, Beira Litoral, Portugal)
Indo dona Infanta por seu corredor acima,
tocando numa guitarra, tocava que retinia.
Tamanho estrondo fazia, que acordou seu pai que dormia.
Que tens tu, dona Infanta? Que tens tu, ó alma minha?
Casaram-se minhas manas, eu também casar-me queria,
por ser infanta mais nova fico para infantina.
Cala-te lá, minha filha, cá não há quem te merecia.
O nosso conde d` Alberga, esse casou noutro dia.
Esse mesmo, meu pai, esse mesmo é que eu queria.
Palavras não eram ditas, o conde à porta batia.
Que quereis, Vossa Real Majestade? Que quereis, Vossa Senhoria?
Quero que mates condessa e cases com minha filha.
Como poderá isso ser? Mulher que tanto queria!
Manda-me a cabeça dela nesta doirada bacia,
não na troques tu por outra, que eu bem na conhecia,
tinha sinais na cara, coisa que a outra não tinha.
Foi-se o conde para casa mais triste que a noite havia,
mandou fechar as suas portas, coisa que ele nunca fazia;
mandou vestir os criados e criadas do maior luto que havia;
mandou-lhe prantar a mesa, nem um nem outro comia!
Que tens tu, conde d` Alberga? Que tens tu, ó alma minha?
Que penas poderei eu ter? Que o rei te mandou matar!
Com a su filha mais nova, com ela hei-de casar.
Palavras não eram ditas, o rei à porta batia.
A condessa não está morta mas está nessas agonias.
Mamai, meu menino, leite do meu coração,
amanhã, por estas horas, já outra mãe te dá pão!
Mamai, meu menino, este leite amargurado,
amanhã, por estas horas, está teu pai um rei coroado.
Mamai, meu menino, este leite d` amargura,
amanhã, por estas horas, já eu estou na sepultura.
Deixai-me ir dar um passeio da sala até ao jardim.
Adeus, moços, adeus, moças, chorai agora por mim!
Tocam os sinos na corte. Oh meu Deus! Quem morreria?!
Morreu a dona Infanta, a morte lhe competia.