IGR: 0503. Versión: 104. Rima: í-a. Hemistiquios 56.
Coimbra (c. Coimbra, dist. Coimbra, Beira Litoral, Portugal)
Que mulher destes meus reinos em teu lugar choraria?!
Dizia el-rei de Castela à filha que se carpia.
Choro, senhor, porque invejo as casadas,– respondia,
dai-me, padre, com quem viva, que me dareis alegria.
Se houvesse um conde solteiro, isso remédio teria,
era-o só o conde Alarcos, esse, casou outro dia.
Conde Alarcos, conde Alarcos, era o esposo que eu queria;
mandareis chamar o conde jantará connosco um dia.
Tão asinha fui chamado, que quer Vossa Senhoria?
Quero dar-te por esposa a minha filha Maria.
A princesa, senhor rei! Tamanho bem quem mer`cia?
Mal pecado! Tenho esposa, a condessa que faria?
Eu quero morta a condessa, antes de uma ave-maria.
Matá-la, senhor, não posso, que também eu morreria.
Conde, faze o que eu te digo, antes duma ave-maria,
aqui trarás a cabeça nesta dourada bacia.
Tão triste vens, conde Alarcos , o jantar que tal seria?
Perguntava-lhe a condessa que ao encontro lhe saía.
Má sina minha, o jantar, foi de morte! Esta bacia,
deve ter tua cabeça, antes duma ave-maria.
El-rei quer dar-me outra esposa, dar-me a princesa Maria,
deseja ver-te a cabeça, nesta dourada bacia.
Cal` -te, cal`-te, conde Alarcos, tão feia acção quem veria?
Matar-me assim! Antes freira! Num mosteiro morreria.
O povo chora nas praças, `stá de luto a fidalguia,
os sinos dobram na Sé, Deus do céu quem morreria?
Morreu el-rei de Castela, mais a princesa Maria,
Deus os matou por tentarem separar quem Deus unia.