Conde Alarcos v103

IGR: 0503. Versión: 103. Rima: í-a+estróf.. Hemistiquios 56.

Silvade (c. Espinho, dist. Aveiro, Beira Litoral, Portugal)

Em vindo dona Silvana,    pelo corredor abaixo,
tocando na guitarra    muito bem que a tangia,
acordou seu pai da cama    c` o `strumento que fazia.
Que tendes, dona Silvana?    Que tendes, ó filha minha?
Quero que mates a condessa,    p`ra casar` s com filha minha.
Eu condessa não na mato    que essa morte não mer`cia.
Mata conde, mata conde,    antes que eu te tire a vida,
em antes dum Padre Nosso    e duma ave-maria,
mandarás a cabeça    nesta maldita bacia.
Mandou vestir seu criado    de luto à maravilha,
mandou tirar seu jantar,    para fazer que comia,
os suspiros eram tantos    que o palácio estremecia,
as lágrimas eram tantas    que pela mesa corria.
Eu vou-me dar um passeio    da sala até ao corredor,
adeus criados, adeus aias,    adeus meus reales amores.
Eu vou-me dar um passeio    da sala até ao jardim,
adeus cravos, adeus rosas,    adeus ramo d` alecrim.
Dai-me cá aquel` cutelo    que me quero degolar,
dai-me cá aquel` menino    que lhe quer` dar de mamar.
Mama, mama, meu menino,    este leite de traição,
amanhã, por esta hora,    `stá tua mãe no caixão.
Mama, mama, meu menino,    este leite d` amargura,
amanhã, por esta hora,    tua mãe na sepultura.
Mama, mama, meu menino,    este leite d` amargar,
amanhã, por esta hora,    `stá tua mãe a enterrar.
Tocam os sinos nas côrtes.    Ai Jesus! Quem morreria?
Morreu a filha do rei    chamada dona Maria,

Otros datos:
28 descasar os bem casados coisa que Deus não queria.

Bibliografía:
Recogido antes de 1903. Publicada en Pires 1903-1905a, 216-217. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 742, pp. 430-431. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0005 Silvana contam.]