Ciego raptor v69

IGR: 0189. Versión: 69. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 36.

Monchique (c. Monchique, dist. Faro, Algarve, Portugal)

Qual é o vadio    que a estas horas anda?
Tu em `náguas brancas    e tu `inda na cama!
S` ele canta e pede,    dá-le pão e vinho,
s` ele não queser,    siga o seu caminho.
Eu não quero o seu pão,    nem tão-pouco o seu vinho,
eu quero qu` a menina    m` ensine o caminho.
Pois pega, minha filha,    na roca e no linho,
vai ensinar a estrada    ao triste ceguinho.
Partiu-se-m` a roca,    acabou-se o linho.
Vai-t` embora, cego,    que aí vai o caminho.
Eu sou curto de vista    e cego, não vejo bem:
quero que a menina    chegue mais além.
Adeus, minha mãe,    adeus, minha terra!
Minha bela mãe,    que tão falsa me era!
De condes a príncipes    eu fui perseguida,
agora dum cego    me vejo rendida.
Daqui dond` eu `stou,    vejo a gente minha;
anda p`ra palácio,    serás uma rainha!
Nota de J. L. de Vasconcelos: -16b Ela era princesa – acrescentou a narradora.    

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Omitimos as seguintes didascálias: antes de -1 A mãe; entre -8 e -9 Diz a rapariga pelo caminho; entre -16 e -17 Ele.

Bibliografía:
Recitada por una mujer. Recogida en 1917. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 102. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1115, p. 315. © Fundação Calouste Gulbenkian.