Ciego raptor v67

IGR: 0189. Versión: 67. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 38.

Lagoa (c. Lagoa, dist. Faro, Algarve, Portugal)

Fecha a tua porta,    abre o teu postigo,
dá-me cá o teu lenço    qu` eu venho ferido.
Se tu vens ferido    vinde muito embora,
qual é o vadio    que anda a est` hora!
Levanta-te, Anica,    mais um bocadinho,
a um pobre cego    ensina o caminho.
S` ele te pedir pão,    dá-lhe pão e vinho.
Não quero o seu pão,    não quero o seu vinho,
quero só que Ana    me ensine o caminho.
Eu já estou em anágua    p`ra ir p`r`à cama.
Qual é o vadio    que a esta hora anda?
Levanta-te, Anica,    mais um bocadinho,
a um pobre cego    ensina o caminho.
Adeus, minhas casas,    adeus, minhas janelas,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me eras.
Por duques e marqueses    me vi perseguida,
por um pobre cego    me vejo rendida.
Eu donde estou bem vejo    os palácios d` el-rei.
Anda p`ra diante, Anica,    qu` eu te coroarei.

Bibliografía:
Recogido antes de 1882. Publicada en Dâmaso 1882, 202-203. Reeditada en Athaide Oliveira 1905, (y Athaide Oliveira 1987?) 410-411; Anastácio 1985, 219 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1113, p. 314. © Fundação Calouste Gulbenkian.