IGR: 0189. Versión: 57. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 40.
Beira Baixa s. l. (Beira Baixa, Portugal)
Menina, abre a porta ao cego perdido,
deita-me um paninho que venho ferido.
Se tu vens ferido, podes-te ir embora,
que eu não abro a porta nem te dou esmola.
Venha cá, ó mãe, venha cá ouvir
um cego tão lindo que está a pedir.
Levanta-te, filha, vai ver o ceguinho,
abre lá a porta, dá-lhe pão e vinho.
Eu não quero vinho, nem quero o seu pão;
quero quem me guie nesta escuridão.
Vai lá, minha filha, tem dó do ceguinho:
pega na candeia, mostra-lhe o caminho.
Ali vai a estrada, já pode ir sozinho;
já não sou precisa, não erra o caminho.
Não te vás embora, vem cá, meu encanto,
tem dó deste cego que te ama tanto.
Adeus minha terra, adeus, minha mãe;
foi por sua causa que eu me desgracei:
Quantos me quiseram, todos enjeitei
e afinal dum cego, mulher ficarei!