Ciego raptor v43

IGR: 0189. Versión: 43. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 52.

Santo Tirso (c. Santo Tirso, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Abre-me essa porta,    abre-me o postigo;
dá-me um lenço, Ana,    que eu venho ferido.
Se você vem ferido,    vá-se daí embora;
a minha portinha    não se abre agora.
Se ela não se abre,    ela se há-de abrir;
contigo, menina,    quero ir dormir.
Acorde, minha mãe,    do doce dormir;
venha ouvir o cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-lhe pão e vinho,
para o triste cego    seguir seu caminho.
Não quero o seu pão,    nem quero o seu vinho;
quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega daí em `stopa,    pega daí em linho;
e ao triste cego    ensina o caminho.
Acabou-se-me o linho,    acabou-se-me a `stopa;
siga o triste cego    por essa caldrosta.
Acabou-se-me a `stopa,    acabou-se-me o linho;
siga o triste cego    por esse caminho.
Sou curto da vista,    já não vejo bem;
quero que a menina    venha mais além.
De condes e duques    eu fui perseguida;
agora dum cego    me vejo vencida!
Adeus, minha mãe,    adeus, minha tia;
adeus, minha mãe,    que bem no sabia.
Adeus, minha mãe,    adeus, minha terra;
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era.

Otros datos:
Nota de A. C. Pires de Lima: -16b Como a palavra cangosta ou congosta não é empregada pelo povo, foi facilmente corrompida em caldrosta, naturalmente por influência de caldo.

Bibliografía:
Recogido antes de 1917. Publicada en Lima 1914-1917, 16-17 y Lima 1948, 512-514. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1089, pp. 292-293. © Fundação Calouste Gulbenkian.