Ciego raptor v42

IGR: 0189. Versión: 42. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 40.

Santo Tirso (c. Santo Tirso, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Minha mãe, acorde    desse seu dormir;
venha ouvir um cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-lhe pão e vinho,
para o triste cego    seguir o caminho.
Não quero o seu pão,    não quero o seu vinho;
quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega na tua roca,    pega no teu linho;
vai ao triste cego    ensinar o caminho.
Espiou-se a roca,    acabou-se o linho;
vá o triste cego    seguindo o caminho.
Venha mais adente    venha mais além;
sou curto da vista,    eu não vejo bem.
De condes e duques    eu fui perseguida;
agora dum cego    me vejo vencida!
Não me chames cego,    porque eu não no sou;
sou mesmo duque    que te desafiou.
Adeus, minha mãe,    adeus, minha terra;
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era.
Adeus, minha mãe,    adeus, meus pombais;
adeus, minha mãe,    para nunca mais.

Bibliografía:
Recogido antes de 1917. Publicada en Lima 1914-1917, 300-301 y Lima 1948, 511-512. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1088, p. 292.