Ciego raptor v41

IGR: 0189. Versión: 41. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 55.

Santo Tirso (c. Santo Tirso, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Abra-se essa porta,    cerre-se o postigo;
dê-me cá um lenço,    que já venho f`rido.
Se você vem f`rido,    pode-se ir embora;
que a porta fechou-se,    não se abre agora.
Não se abre agora,    ela se há-de abrir;
Acorde, minha mãe,    desse seu dormir.
Acorde, minha mãe,    venha ouvir o cego
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-le pão e vinho,
para o triste cego    passar o caminho.
Não quero seu pão,    não quero seu vinho;
quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega nessa roca,    também nesse linho;
vai com o triste cego,    ensinar-le o caminho.
Acabou-se-m` a estopa,    acabou-se-m` o linho;
siga o triste cego    por esse caminho.
Anda, Aninhas, anda,    mais inté além;
sou cego da vista,    não vejo ninguém.
Vejo tanta tropa    e cavalaria!
Ai! Valha-me Deus    e a Virgem Maria!
De duques e reis    já fui pretendida;
agora dum cego    me vejo vencida.
Não chores, Aninhas,    não queiras chorar;
tudo isto é pouco    p`ra te acompanhar.
Adeus, minha casa,    adeus, minha terra,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era.
Adeus, minha casa,    de tantos pombais;
adeus, meu jardim    p`ra nunca mais!

Bibliografía:
Recogido antes de 1950. Publicada en Carneiro 1950a, 76-77 y Carneiro 1958a, 48-50. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1087, p. 291. © Fundação Calouste Gulbenkian.