Ciego raptor v40

IGR: 0189. Versión: 40. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 42.

Santo Tirso (c. Santo Tirso, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Abra-se essa porta,    cerre-se o postigo,
dê-me cá um lenço,    que já venho f`rido.
Se você vem f`rido,    pode-se ir embora,
que a porta fichou-se,    não se abre agora.
Não se abre agora,    ela se há-de abrir.
Acorde, minha mãe,    desse seu dormir.
Acorde, minha mãe,    desse seu dormir,
venha ouvir o cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-le pão e vinho,
para o triste cego    passar o caminho.
Não quero seu pão,    nem também seu vinho;
quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega nessa roca,    também nesse linho;
vai com o triste cego,    ensiná` lo caminho.
Desfiou-se a roca,    acabou-se-me o linho;
siga o triste cego    pelo seu caminho.
Venha mais adente,    venha mais além;
sou curto de vista,    já não vejo bem.
De condes e marqueses    foi bem perseguida;
agora dum cego    me vejo vencida.
Adeus, minha mãe,    adeus, minha terra;
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era.
Variantes: -1b sarre-se (1958); -15a Despiou-se (1958).    

Otros datos:
Nota: -19b foi (sic).

Bibliografía:
Recogido antes de 1942. Publicada en Carneiro 1942b, 29-30 y Carneiro 1958a, 46-47. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1086, pp. 290. © Fundação Calouste Gulbenkian.