IGR: 0189. Versión: 31. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 44.
Alvações do Corgo (c. Santa Marta de Penaguião, dist. Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)
Abre-me a porta, fecha-me o postigo,
deita-m` um lencinho, que eu venho ferido.
Se tu vens ferido, vai-te muito embora,
qu` a minha portinha não se abre agora.
Acorde, minha mãe, desse seu dormir,
venha ver o cego cantar e pedir.
Se canta e pede, dá-lhe pão e vinho,
diz `ó triste cego que siga o caminho.
Não quero o seu pão, menos o seu vinho,
quero qu` a menina m` ensine o caminho.
Pega, minha filha, na roca e [no] linho,
vai co` o triste cego, ensina-lh` o caminho.
`Spiou-se-m` a roca, acabou-se-me o linho:
adiênte, cego, lá vai o caminho.
Sou curto de vista, não enxergo bem,
ande lá, menina, até mais além.
De condes e duques eu fui pretendida,
agora dum cego me vejo rendida.
Adeus, minha casa, com minha jenela!
Adeus, minha mãe, que tão falsa me era!
S` ela te era falsa, eu sou-te leal:
é` lo meu benzinho, quero-te lograr.