Ciego raptor v31

IGR: 0189. Versión: 31. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 44.

Alvações do Corgo (c. Santa Marta de Penaguião, dist. Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)

Abre-me a porta,    fecha-me o postigo,
deita-m` um lencinho,    que eu venho ferido.
Se tu vens ferido,    vai-te muito embora,
qu` a minha portinha    não se abre agora.
Acorde, minha mãe,    desse seu dormir,
venha ver o cego    cantar e pedir.
Se canta e pede,    dá-lhe pão e vinho,
diz `ó triste cego    que siga o caminho.
Não quero o seu pão,    menos o seu vinho,
quero qu` a menina    m` ensine o caminho.
Pega, minha filha,    na roca e [no] linho,
vai co` o triste cego,    ensina-lh` o caminho.
`Spiou-se-m` a roca,    acabou-se-me o linho:
adiênte, cego,    lá vai o caminho.
Sou curto de vista,    não enxergo bem,
ande lá, menina,    até mais além.
De condes e duques    eu fui pretendida,
agora dum cego    me vejo rendida.
Adeus, minha casa,    com minha jenela!
Adeus, minha mãe,    que tão falsa me era!
S` ela te era falsa,    eu sou-te leal:
é` lo meu benzinho,    quero-te lograr.

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2003: -11b Os colchetes são da responsabilidade de Leite de Vasconcellos 1958-1960, II.

Bibliografía:
Recitada por una señora de edad. Recogida en 1902. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 93. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1077, p. 282.