IGR: 0189. Versión: 21. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 48.
N/A (facticia)* (Portugal)
Abre a porta, Ana, abre o teu postigo,
dá-me um lenço, Ana, que venho ferido.
Se vindes ferido, vinde muito embora,
que a minha porta não se abre agora.
Tua porta, ó Ana, não se há-de abrir!
Sou um pobre cego que ando a pedir.
Minha mãe, acorde do doce dormir,
venha ouvir o cego cantar e pedir.
Se ele canta e pede, dá-lhe pão e vinho;
deixa o pobre cego seguir seu caminho.
O teu pão não quero, não quero o teu vinho;
quero só que a Aninhas me ensine o caminho.
Toma a roca, Ana, carrega-a de linho;
Vai c` o pobre cego pô-lo no caminho.
Espiou-se a roca, acabou-se o linho;
fique embora o cego, vai em bom caminho.
Anda mais, ó Ana, mais um bocadinho,
sou um pobre cego, não vejo o caminho.
Arreda-te, ó Ana, para este altinho,
que aí vêm cavaleiros por esse caminho.
A cavalaria parou de mansinho.
Cego, o meu cego, já via o caminho.
Montou-me a cavalo com muito carinho;
um cego me leva e vejo o caminho.
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Reproduz-se a versão estabelecida por Garrett no respectivo manuscrito autógrafo e assinalam-se as variantes por ele fixadas a partir de versões oriundas de Lisboa (L), Porto (Po) e Cartaxo (Ca), bem como a partir de outra enviada por António Feliciano de Castilho (C).