Bernal Francés+Aparición de la enamorada muerta v20

IGR: 0222+0168. Versión: 20. Rima: í. Hemistiquios 74.

Celorico da Beira (c. Celorico da Beira, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Se tu és Bernardo Francês,    as portas te vou abrir;
se és outro cavaleiro,    bem te podes daí ir.
Mui depressa, mui depressa,    vem justiça atrás de mim!
Deixa tu vir a justiça    que ela cá não há-de vir.
Que é isso, Bernardo Francês,    que é isso meu querubim?
Candeeiro de sete luzes,    todas sete deram fim.
Pegou-lhe pela mão,    levou-o para o jardim;
lavou-lhe os pés e as mãos    com raminhos de alecrim.
Que é isso, Bernardo Francês,    que é isso meu querubim?
Levou-o para seus braços,    deitou-o ao pé de si:
Que é isso, Bernardo Francês,    que é isso, meu querubim?
Já é dada meia-noite,    sem te voltares para mim!
Nestas noites atrás    não me deixavas dormir,
os beijinhos e abraços    eram mais de trinta mil.
Se tens medo a meu marido,    ele longe está daqui;
cinco mil balas o passem,    a nova me venha a mim!
Se tens medo a meus criados,    eles não te vêem a ti.
Não tenho medo aos criados    , que criados são de mim,
nem tão-pouco a teu marido,    que o tens ao pé de ti.
Se tu eras meu marido,    mais te quero eu a ti.
Eram sonhos que sonhava,    o amor é que me levava.
Cal`-te aí, falsa, traidora,    cal`-te, deixa-me dormir!
Deixa tu vir a manhã,    que negra será p`ra ti!
Vou chamar minhas cunhadas,    que se despeçam de ti,
que não façam a seus maridos    o que me fizeste a mim.
Levarás saia de grana    e jaqué de granazil,
gargantilha dolorada,    que tu o causaste assim.
Onde vais, Bernardo Francês,    onde vais, meu serafim?
Vou ver a minha amada,    há dias que a não vi.
Tua amada já é morta,    já morreu, que eu bem a vi.
Diz`-me os sinais que levava,    que eu direi se era assim.
Levava saia de grana    e jaqué de granazil,
gargantilha dolorada,    que ela o causou assim.
Diz-me tu, ó boa velha,    aonde foi enterrada?
No convento de São Gil,    ao pé do confissionário.
Abre-te, penha constante,    serás minha sepultura.
Se nossos ais te não abrandam,    digo-te, penha, que és dura.
Nota del editor de RºPortTOM 2003: -26b tras granazil Mendonça 1911 inserta entre parêntesis «(?)».    

Otros datos:
Nota: -28 empalma con el segundo romance.

Bibliografía:
Recogido antes de 1911. Publicada en Furtado de Mendonça 1911, 12-14. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 918, pp. 146-147. © Fundação Calouste Gulbenkian.