Alma en pena peregrina a Santiago v10

IGR: 0797. Versión: 10. Rima: í-a. Hemistiquios 36.

Bragança s. l. (dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Ondinhas do mar abaixo,    ondinhas do mar acima,
vai a triste duma alma    dando vozes qu` aturdia;
ouvira-la um cavaleiro    da sala onde dormia.
Ou tu és alma de penas    ou p`r` às penas caminhas.
Eu não sou alma de penas,    nem cousa da outra vida,
sou uma alma pecadora    qu` à meia-noite partia;
vou p`ra passar o rio negro,    vou p`ra o passar e não via.
Apega-te às boas obras    que fizeste na tua vida.
Como m` hei-de apegar,    s` eu nunca as faria?
Apega-te aos jejuns    que fizeste na tua vida.
Como m` eu hei-de apegar,    s` eu nunca os jejuaria?
Lá te mandarei uma oferta    c` uma luz acendida.
Tudo isso não era nada    p`r` ò parecer que me faria.
Lá te mandarei uma esmola    c` uma luz acendida.
Tudo isso não era nada    p`r` ò parecer que me faria.
Lá te mandarei uma missa    c` uma luz acendida.
Bem hajas tu, ó cavaleiro,    bem haja a tua vida,
salvaste duas almas,    a tua e mais a minha.

Otros datos:
Nota: A profunda semelhança entre esta versão e a anterior pode ter como explicação o facto de serem, provavelmente, recitações do mesmo informante.

Bibliografía:
Recogida por Pe. Francisco Manuel Alves (abade de Baçal), hacia 1902 (fecha deducida) y Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 353. Reeditada en RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1688a, pp. 404-405. © Fundação Calouste Gulbenkian.