Albaniña v95

IGR: 0234. Versión: 95. Rima: estróf.. Hemistiquios 32.

Lajeosa (c. Celorico da Beira, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Estando dona Filomena    no seu jardim assentada,
com um pente d` ouro na mão    seu cabelo penteava.
Passou lá um soldadinho,    logo lhe apertou a mão.
Vem tu cá, ó soldadinho,    se queres ter ocasião.
Meu marido não está cá,    foi à Quinta do Beirão;
se quiseres que ele cá não venha,    deitemos-lhe a maldição:
corvos lhe comam os olhos    e também o coração.
(Eles) estavam nessa conversa,    seu marido a chegar.
Que tens tu, ó Filomena,    que estás tão desfigurada?
Estou com uma dor de dentes,    estou toda agoniada.
De quem é aquele cavalo    que está na loja a rinchar?
É do meu mano mais novo,    está na cama a descansar.
De quem é aquele punhal    que está na cadeira d` ouro?
Mata-m` aqui, meu marido,    que eu mesmo aqui já morro.
Eu matar-te não te mato,    eu a morte não ta dou:
vou-te levar a teu pai,    tua mãe que te criou.
Notas del editor de RºPortTOM 2003: -8a Os parêntesis são da responsabilidade de Leite de Vasconcellos 1958-1960, I. Omitimos a seguinte didascália: depois de 16 Saiu e matou-a. E convidou o amante a comer a morta.    
Variantes: -1b no seu balcão; -3a Soldadinho que passava; -3b muito l` apertou a mão; -4a –Aperta, aperta, soldadinho; -4b aproveita a ocasião; -5b foi p`ra serra do Marão; -7a Corvos, tirai-lh` os olhos; -7b e a raiz do coração; -8a Eles estavam com isto; -8b seu marido que chegou; -9a soldadinho fugiu; -9b e ela de cor demudou; -10a –Que tens tu, ó Filomena; -10b que tanto mudas de cor; -11a Ou tu tens medo de mim; -11b ou tu tens outro amor; -12a –Não tenho medo de ti; -12b nem tenho outro amor; -13a perdi as chaves da adega; -13b lá no alto corredor.    

Otros datos:
Título original: Claralinda.

Bibliografía:
Recogida en 1930. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 456-457. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 963, pp. 195-196. © Fundação Calouste Gulbenkian.