Albaniña v102

IGR: 0234. Versión: 102. Rima: estróf.. Hemistiquios 32.

Barró (c. Resende, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)

`Stando dona Felismina    no seu balcão assentada,
com pente d` oiro na mão    seu cabelo penteava.
Chegou lá um soldadinho,    logo l` apertou a mão.
Se tu quer`s, ó soldadinho,    é agora ocasião;
meu marido não `stá cá,    `stá p`ra a serra do Marão;
se tu quer`s qu` ele não venha,    deita-l` uma maldição:
ó corvos, tirai-l` os olhos,    as asas ao coração.
Eles com esta conversa,    seu marido a chegar.
Tu que tens, ó Felismina,    `stás tão desafigurada?
Isto é uma dor de dentes    que me traz atromentada.
De quem é aquele cavalo    qu` ali `stava aparilhado?
É do meu mano mais novo,    vai p`ra a tropa, é suldado.
De quem é aquele punhal?    É bordado no bordão.
Pega nele, meu marido,    `speta-mo no coração.
Não te mato, Felismina,    mate-te quem te criou,
isto é p`ra que teu pai saiba    a mulher que me entregou.
Notas e variantes de J. L. de Vasconcelos: -2A Com seu pendurão na mão (Baião); -2b Seu cabelo penteado (Baião). Provavelmente penteando. -7b Fórmula mágica. Quanto às asas, cfr. a cantiga: S` o meu coração voasse / com penas que le vós dais, / ia mil vezes numa hora / ao sítio onde vós satais ( Barrô). -9b Que estás tão desfigurada (Baião); -13b Cabo (?) Rima aliterante.    
Variantes: -4a Soldadinho, agora, agora; -4b qu` era agora ocasião; -16a só quero que teu pai saiba.    

Otros datos:
Título original: Claralinda.

Bibliografía:
Recogida en 1908. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 454-455. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 970, pp. 199-200. © Fundação Calouste Gulbenkian.