IGR: 0682. Versión: 6. Rima: í-o+estróf.. Hemistiquios 54.
Loulé s. l. (dist. Portalegre/Faro, Alto Alentejo, Portugal)
A Virgem se confessou, amanhecendo, um domingo,
não foi lá por ter pecado nem por ter prometido;
foi só por guardar preceito do seu augusto e qu`rido Filho.
Vinde cá, padre da missa, confissão me haveis de ouvir,
que aqui venho embaraçada dos pecados me remirdes.
O padre, que se sentava, a donzela enjoelhava,
o ventre que ela trazia todo o mundo alumiava;
o padre, que aquilo via, por momentos duvidava.
Cala-te, padre de missa, cala-te, não digas nada;
tudo isto são misterios da Santíssima Trindade.
Príncipio p`los Mandamentos, vamos a remir pecados:
o primeiro, é que eu amei o meu divino Senhor;
cá o trago no meu ventre e criado em meu favor.
O segundo, é que eu jurei uma jura de contino:
a vinte e cinco de Março encarnou Verbo divino.
O terceiro, é que eu guardei os dias que de Deus são,
a vinte e cinco de Março e a santa Encarnação.
O quarto, é que sempre louvei pae e mae mais do que vós,
não sei se farei ofensa o levar Jesus por vós.
O quinto, é que matei a Serpente infernal,
que levou à cruz Jesus Cristo sem ter culpa original.
Oh meu padre de missa, já está feita a confissão;
peço-vos por caridade me deis a absolvição.
Levantae-vos, pomba branca, meu espelho! es tão lindo!
vae caminho de Belem p`ra nascer Verbo divino.
Ficae-vos com Deus, oh padre, que eu com Deus me vou embora,
queira Deus nos encontremos bem lá no reino da glória.