Novia abandonada del conde de Alba v7

IGR: 0508. Versión: 7. Rima: í-a. Hemistiquios 44.

Varge (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Tristes novas aí em Espanha,    tristes novas lá havia,
que se casa o duque d` Elvas,    com damas de gran` valia.
Todas as damas o sabem,    Don` Ana nada sabia.
Tu não sabes, Don` Ana,    não sabes, ó rapariga,
que se casa o duque d` Elvas    com damas de gran valia?
Se se casa, que se case,    a mim que se me daria.
Foi-se p`ra uma janela    das mais altas qu` ela tinha,
vira `star o duque d` Elvas    com outros em companhia,
acenara-le c` um lenço dos    qu` ele dado le tenia.
Vem t` a cá, ó duque d` Elvas,    vem t` à minha companhia,
disseram-me que te casavas    com damas de gran` valia.
Quem to dixo, ó Don` Ana,    quem to dixo não mentia.
Morta se caiu p`ra trás,    sem prazer, nem alegria.
Mandaram-na abrir do peito    a ver de que mal morria,
tinha o coração revolto    c` o debaixo p`ra cima;
três pingas tinha de sangue    cada uma em sua esquina.
Mandou-o encastoar em prata    e a seu peito o trazia.
Viu-lo um dia sua sogra,    um dia vindo da missa.
Que é isso, duque d` Elvas,    qu` a vosso peito trazeis?
Trazo luto por Don` Ana    qu` à sete anos que morria.
S` isso é, ó duque d` Elvas,    quereis-le mais qu` à minha filha?
Eu à vossa bem le quero,    mas a Don` Ana mais le queria.

Bibliografía:
Recogida en 1938. Publicada en Alves 1938, (reed. facs. 1979), 567-568. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 557, pp. 225-226. © Fundação Calouste Gulbenkian.