Cautivo del renegado+Cautivo firme en su fe v100

IGR: 0443+0317. Versión: 100. Rima: é-a+ estróf.. Hemistiquios 68.

Aljezur (Algarve, Portugal)

Entre pazes e a guerra    me cativaram os mouros,
não havia mouro, nem moura,    passasse de à noite vera.
Só um mouro se atrevera,    que mil patacas lhe dera,
de dia pisava esparto,    à noite moía canela,
com uma mordaça na boca,    para não comer dela.
Mas dava-lhe Deus a ventura    ter uma patroa tão bela,
que também lhe dava de o pão,    do que o perro comia.
Também lhe dava de o vinho,    que o perro mouro bebia.
[Sempre lhe estava dizendo:    Cristão, vai prá tua terra,
que eu também já fui cristoa    e agora sou mora perra.
Como hei-de ir, senhora,    se me a mim falta a moeda?
Se te falta a moeda,    eu de bronze te a dera;
se te falta o cavalo    eu te darei uma égua,
que o que ela galapeia    nova sete passos é uma légua.
Estando com estas falas,    mouro perro aos seus portais.
Queira desculpar, ó senhor meu amo,    se eu vós não agradais.
Diz-me lá, ó João, se queres ser rei do meu arreinado,    
que também te dou uma cama d`ouro,    ouro é mais gericado.
dou-te os olhos mais lindos    sbque em Lisboa foram criados.
Não quero ser rei,    nem rei do seu arreinado,
nem quero a sua cama de ouro,    de ouro é mais gericado.
Nem quero os olhos mais lindos    que em Lisboa foram criados,
que eu tenho dentro o meu peito    um Senhor crucificado,
que mil ofensas que eu lhe faça,    sempre eu sarei castigado.
Desdesce abaixo, Angelina,    que se aqui vai nosso João,
Deixe ir o nosso João,    qu`ele a mim não me deve nada,
mas se não fosse a sua lei,    nunca eu dele me apartava.
Desdesce abaixo, Angelina,    que aqui vai nosso João,
se ele te deve alguma coisa,    aqui desembargarão.
Deixe ir nosso João,    qu`ele a mim não me deve nada,
Já lá vai nosso João,    já lá vai pelo mar fora.
Adeus, meu querido João,    já te lá vás embora.
Nota: tras el primer hemistiquio de los versos pares, se canta el estribillo: ¡oh, tão lindo!.    
Notas del editor: Cedida amablemente por Fernando Lopes-Graça y Michel Giacometti. Tras observar que «este romance-conservado aún en la tradición oral portuguesa, catalana, castellana y entre los judios de Oriente-fue ya recogido en Primavera (Wolf 1856b) con el número 131, en un pliego que comienza: Mi padre era de Ronda / y mi madre de Antequera//», ofrece, como de costumbre, extensas notas sobre la ocasionalidad y la historia del romance.    

Otros datos:
Título original: El cautivo del buen ama.

Bibliografía:
Recitada por Anastásia Maria (65a). antes de 1961. (Archivo: ASFG; Colec.: Fraile Gil, J. M). Publicada en Graça - Giacometti 1961, disco I, corte 18 y Graça - Giacometti 1998, Portuguese Folk Music vol. 5 Algarve, Portugalsom, Lisboa, 1998, CD, corte 18. Reeditada en Fraile Gil Rom-Panhisp.-2/CD 2010, vol. 1, corte nº 37, texto nº V.3, pp. 99-101. Reproducida aquí con permiso del editor.