IGR: 0233. Versión: 101. Rima: é-a. Hemistiquios 46.
Vale do Espinho (c. Valpaços, dist. Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal)
Naquela serrinha i-alta, naquela mais alta serra,
anda lá uma serraninha bem bonita que ela era,
filha dum homem casado, paridinha duma égua;
com sua espingarda às costas, como grande caçadeira.
Quando se alembra dos homens desce abaixo à ribeira.
Encontrou um pastorinho com o gado na lameira.
Queres tu, ó pastorinho, subir comigo à serra?
Eu subia, Serraninha, mas meu gado quem mo guardara?
Anda comigo, pastorinho, teu gado eu responsara.
Juntaram ombro com ombro, subiram os dois a serra.
De que são tantas cruzes que aqui há nesta serra?
Duzentos homens matei, a ti porque não quisera.
Estende lá, ó pastorinho, estende aí tua mantela.
Serraninha deitou por baixo e o pastor por cima dela;
um brincou, outro brincou, Serraninha se adormecera.
Quando ela acordou o pastor ia longe légua e meia.
Volta atrás, ó pastorinho, vem buscar tua mantela!
Nem que ela fosse dourada, eu atrás não ia por ela!
Ela atirou-lhe com uma pedra, derrubou-lhe uma orelha;
e ele atirou-lhe com outra, acertou-lhe na mantela.
Senhor juiz de paz, faça justiça na terra,
p`ra prender a Serraninha, que anda além naquela serra;
duzentos homens matou, e a mim porque não pudera.
Nota del colector: – 9b responsara significa, según el informante, «que ficava responsável por ele» (pelo gado). Confróntese, sin embargo, la nota de Cortés Vázquez a una versión de Hermisende. (V. 55).