Una fatal ocasión v19

IGR: 0232. Versión: 19. Rima: í-a. Hemistiquios 32.

Rebordainhos (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Por aquela serra acima    linda romeirinha ia;
cavalheiro ia `trás dela,    alcançá-la não podia.
Alcançou-a descansando    ao pé duma fonte fria.
O cavalheiro, de malo,    d` amores a acometia.
A donzela lhe pediu,    por Deus e Santa Maria,
que a deixasse ir honrada    a cumprir a romaria.
O cavalheiro, de malo,    respondeu-lhe que não queria.
Pegaram braço a braço    a ver qual mais podia.
Caíra-lhe um punhal d` ouro    que o cavalheiro trazia;
a donzela, de discreta,    ela do chão o erguia;
meteu-lho no lado direito,    ao esquerdo lhe saía.
Peço-te, boa donzela,    por Deus e Santa Maria,
nem no digas em tua terra,    nem te vás gavar à minha,
que mataste um cavalheiro    com as armas que ele trazia.
Hei-de o dizer em tu` terra    e hei-de me ir gavar à minha,
que matei um cavalheiro    co` as armas que ele trazia.
Variante: -3b debaixo da verde olia.    

Otros datos:
Título original: A vingadora da sua honra.

Bibliografía:
Recogida en 1874. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 1. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1029, p. 239. © Fundação Calouste Gulbenkian.