IGR: 0200. Versión: 17. Rima: í-a. Hemistiquios 56.
Izeda (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Bem vi estar a Galharda en su ventana florida
e avistei um cavaleiro lá nos campos de Sevilha.
Buena tarde, ó Galharda, buena tarde, Galhardina!
Queiras tu, ó cavalheiro, vir para minha companhia?
E pegou-lhe por um braço e para su ventana subiam.
Logo à entrada da porta o cavaleiro estremecia.
Que é isto, ó Galharda, que é isto, Galhardina?
São cabeças de leitones criados, comem farinha.
É a cabeça de meu pai, que eu bem na conhecia;
é a cabeça de meu mano, que eu bem na conhecia.
Mandou fazer de comer a melhor comida que havia;
sentaram-se ambos à mesa e o cavaleiro não comia.
Porque não comes, cabalheiro, em minha companhia?
Já comi a minha merenda, que a minha mãe ma daria.
Mandou fazer a cama da melhor roupa que tinha
e entre colchas e colchões punhais de ouro metia.
Foram-se ambos à cama e o cabalheiro não dormia.
Lá pelo meio da noite Galharda se estremecia.
Que tens tu, ó Galharda, que tens tu, prenda minha?
Falta-me um punhal de ouro que em minha cama tenía.
Esse punhal de ouro está em minha companhia.
E pegou-lhe por um braço, no coração lho metia.
Abre-me a porta, porteiro, e abre-me com alegria!
A porta não ta aibro, que Galharda me tira a vida.
Abre-me a porta, porteiro, que Galharda está no sobrado estendida.
Bem hajas tu, ó cavaleiro, e mais tua buena vida;
de dois mil cavaleiros que entraram só tu saiste com vida.
Dois milhões que ela tem para os dois os partíramos.
Nota: En RºPortTOM 2000 la versión figura como publicada en «Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 160-161».