Ciego raptor v36

IGR: 0189. Versión: 36. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 30.

Baião (c. Baião, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

`Corde, minha mãe,    desse seu dormir:
venha vê` lo cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-lhe pão e vinho.
Não quero o seu pão,    nem quero o seu vinho,
quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega, Mariquinhas,    na roca e no linho,
vai c` o pobre cego,    ensina-lh` o caminho.
Espiou-se-me a roca,    acabou-se-me o linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho.
Ande lá, menina,    até mais além,
qu` eu sou curto de vista,    já não vejo bem.
Adeus, minhas casas    e minhas janelas;
adeus, minha mãe,    que tão falsa m` eras!
Adeus, meu jardim    e meus jardineiros;
adeus, meus capitães    e mais cavalheiros!

Otros datos:
Nota de J. L. de Vasconcelos: -15a Os irmãos - explicou a narradora.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 91-92. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1082, pp. 287-288. © Fundação Calouste Gulbenkian.