IGR: 0164+0100. Versión: 43. Rima: í-a. Hemistiquios 42.
Vila Nova de Gaia (c. Vila Nova de Gaia, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Indo um caçador à caça, na caça lhe anoitecia;
deitou os olhos abaixo, também os deitou acima;
lá viu estar uma donzela que o sol resplandecia.
Que fazeis aí, donzela, que fazeis aí, donzilha?
Sete fadas me fadaram, no ventre de uma mãe minha,
hoje se acaba o ano, amanhã se acaba o dia.
Queres-me tu, ó cavaleiro, levar na tua companhia?
Eu te levarei, donzela, eu te levarei, donzilha.
Lá no meio do caminho, duma fonte água bebia;
depois montou a cavalo, pelo caminho corria.
Tornemos atrás, donzela, tornemos atrás, donzilha,
que na fonte aonde bebemos a minha espora é perdida.
Não voltes atrás, cavaleiro, não voltes, por vida minha;
se a tua espora é de prata, meu pai d` ouro ta daria.
Quem é vosso pai, senhora, que tanto ouro tenia?
Sou filha do rei de Espanha, da rainha Constantina;
sete fadas me fadaram no ventre de uma mãe minha.
Hoje se acaba o ano, amanhã se acaba o dia.
Pelos sinais que me dais, vós sois uma mana minha.
Correi, moços e vassalos, correi, com grande alegria:
julguei que trazia esposa, trago uma mana minha.