Señas del esposo v201

IGR: 0113. Versión: 201. Rima: é-a+í. Hemistiquios 68.

Baçal (c. Bragança, dist. Bragança., Trás-os-Montes, Portugal)

`Stando a bela em armada,    no seu jardim assentada,
com pentes de ouro na mão    seu cabelo penteava.
Deitou os olhos `ò mar,    viu vir a grande armada.
Dize-me tu, ó capitão,    dize-me pela tua alma,
o marido que Deus me deu    se vem nessa armada.
Nem no vi nem no conheço    nem sei que sinais levava.
Levava cavalo branco,    sela de prata dourada,
na ponta da sua lança    um Santo Cristo levava.
Esse home`, ó mulher,    morto ficou na batalha,
com vinte e cinco feridas    e outras tantas estocadas.
Ai de mim, triste viúva!    ai de mim, triste coitada!
Algum dia era infanta,    agora sou desgraçada!
Quanto dais, ó bela infanta,    a quem vo-lo traz aqui?
Darei-vos tanto dinheiro    quanto pudéreis contar.
Não quero o vosso dinheiro    que vos custou a ganhar.
Quanto dais mais, bela infanta,    a quem vo-lo traz aqui?
As telhas do meu telhado,    que são d` ouro e marfim.
Não quero as vossas telhas,    que não me pertencem a mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra,    não persisto por aqui.
Quanto dais mais, bela infanta,    a quem vo-lo traz aqui?
De três filhas qu` eu tenho,    todas três vo-las dera a si.
Não quero as vossas filhas,    que vos custaram a criar.
Uma é para vos calçar,    outra p`ra vos vestir,
a mais pequena delas    p`ra convosco dormir.
Quanto dais mais, bela infanta,    a quem vo-lo traz aqui?
Não tenho mais que vos dar    nem vós mais que me pedir.
Ainda tendes mais que dar    e eu mais que pedir,
esse corpinho bem feito    p`ra convosco dormir.
Acudi, moços e moças,    acudi todos aqui,
a fazer a joquetada    `ò redor do meu jardim.
Não chames pelos teus moços    que criados são de mim.
Pois s` eles são teus criados,    porque me tratas assim?
Donde `stá o anel d` ouro    que contigo reparti?
Donde `stá a tua metade,    pois a minha vei-la aqui.
Nota de J. L. Vasconcellos: -30a joquetada- Disseram que significava risada, zombaria.    

Otros datos:
Título original: Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogida por Pe. Francisco Manuel Alves (abade de Baçal), hacia 1902 (fecha deducida) y Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 357-358. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 328, pp. 17-18. © Fundação Calouste Gulbenkian.