IGR: 0075. Versión: 218. Rima: á-a. Hemistiquios 55.
Elvas (c. Elvas, dist. Portalegre, Alto Alentejo, Portugal)
`Stando dona Delgadina na sua sala quadrada
e vindo seu pai da missa [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
Delgadina, Delgadina, hás ser minha namorada.
Não permita Deus do céu e nem a Virgem Sagrada
que eu, sendo a vossa filha, seja vossa namorada.
O pai, que isto ouviu, numa torre a encerrava.
O que Delgadina comia era pescada salgada,
o que lhe dava a beber, a agua em que se lavava.
ao fim de sete anos e um dia, Delgadina, enfadada,
assomou-se a `ma janela, uma janela mui` alta,
viu estar suas irmãs bordando a ouro e prata.
Por Deus lhes venho pedir, pela Virgem Consagrada,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] que me dêem um jarro d` água.
Delgadina, Delgadina, quem te pudera valer,
se o ladrão do nosso pai `té a água tem fechada!
Foi-se dali Delgadina mui` triste, desconsolada,
`somou-se a outra janela, cada vez era mais alta,
e viu estar seu pai rei querendo jogar as cartas.
Por Deus lhe venho pedir, pela Virgem Consagrada,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] que me dê um jarro d` água.
Não quero, morres à sede. Já quero ser sua amada.
Alto, alto, meus vassalos, vão dar água a Delgadina,
aquele que chegar primeiro tem a comenda ganhada,
aquele que chegar último tem a cabeça cortada.
Correram os cavaleiros com uma marcha apressada.
Delgadina já está morta, [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
ao lado da mão direita tem `ma fonte d` água clara .
com letras d` oiro que dizem: [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
Delgadina, Delgadina, oh, quem te não fora nada!
Tua alma está no céu, a de teu pai condenada.