Conde Niño v129

IGR: 0049. Versión: 129. Rima: á. Hemistiquios 38.

Vinhais (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Enquanto bebe que não bebe    solta um lindo trinar.
Ouvira-o el-rei    donde andava a passear.
Ou são os anjos no céu    ou a serena no mar.
Não são os anjos no céu    nem a serena no mar,
pois ele é o conde Ninho    que comigo quere casar.
Pois se ele é o conde Ninho    vou-to já mandar matar.
Se a ele o mandais matar,    a mim mandai-me enterrar,
a ele às portas da igreja    e a mim no pé do altar.
Dum nasceu um acipreste,    do outro um laranjal,
cresceu um e cresceu o outro    as pontas foram juntar,
quando o rei ia para a igreja    não o deixavam entrar.
O rei, muito irado,    logo os mandou cortar,
dum nasceu uma pomba    doutro um pombo trocal,
iam-se pousar à mesa    onde o rei ía jantar.
O rei, como malvado,    logo os mandou matar,
dum corria leite    e doutro sangue real.
Deitou el-rei um boato    por todo Portugal,
quem tivesse filhos e filhas    não lhe contorvasse o casar,
que ele nem de vivos nem de mortos    nunca os pôde separar.

Bibliografía:
Recogido antes de 1938. Publicada en Martins 1938, (Martins 1987) 2-3. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 476, pp. 161-162. © Fundação Calouste Gulbenkian.