IGR: 0049. Versión: 119. Rima: á. Hemistiquios 44.
Parada de Infanções (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Lá se vai o conde Aninho, seu cavalo vai banhar,
enquanto o cavalo bebe, formou um lindo cantar.
Acorda, bela infanta, se queres ouvir cantar,
são os anjos no céu, ou a serena no mar.
Não são os anjos no céu, nem a serena no mar,
é o conde, conde Aninho, comigo há-de casar.
Se contigo há-de casar, já o vou mandar matar.
Se a ele o mandais matar, a mim mandai-me enterrar,
a ele aos pés do altar, a mim às portas principais.
Dela sai uma pomba, dele um pombo trocal,
um voou e outro voou, ao céu se foram juntar.
Dela saiu uma rosa, dele saiu um rouxinol,
um cresceu, outro cresceu, à porta se foram juntar.
Ia o rei para a igreja não no deixaram passar,
mas ele, como secreto, foi-os mandar talhar.
Dele saiu sangue vivo, dela saiu sangue real,
um correu, outro correu, ao chão se foram juntar,
o rei votou um decreto pelo mundo a voar.
«Maldito seja tal qu`rer, maldito seja tal amar,
nem de vida, nem de morte, se puderam apartar!
Quem tiver filhos ou filhas não lhe contorve o casar,
que eu contorvei-lho a uma, é do que hoje venho penar.»