Conde Niño v119

IGR: 0049. Versión: 119. Rima: á. Hemistiquios 44.

Parada de Infanções (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Lá se vai o conde Aninho,    seu cavalo vai banhar,
enquanto o cavalo bebe,    formou um lindo cantar.
Acorda, bela infanta,    se queres ouvir cantar,
são os anjos no céu,    ou a serena no mar.
Não são os anjos no céu,    nem a serena no mar,
é o conde, conde Aninho,    comigo há-de casar.
Se contigo há-de casar,    já o vou mandar matar.
Se a ele o mandais matar,    a mim mandai-me enterrar,
a ele aos pés do altar,    a mim às portas principais.
Dela sai uma pomba,    dele um pombo trocal,
um voou e outro voou,    ao céu se foram juntar.
Dela saiu uma rosa,    dele saiu um rouxinol,
um cresceu, outro cresceu,    à porta se foram juntar.
Ia o rei para a igreja    não no deixaram passar,
mas ele, como secreto,    foi-os mandar talhar.
Dele saiu sangue vivo,    dela saiu sangue real,
um correu, outro correu,    ao chão se foram juntar,
o rei votou um decreto    pelo mundo a voar.
«Maldito seja tal qu`rer,    maldito seja tal amar,
nem de vida, nem de morte,    se puderam apartar!
Quem tiver filhos ou filhas    não lhe contorve o casar,
que eu contorvei-lho a uma,    é do que hoje venho penar.»

Bibliografía:
Recogida en 1933. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 285-286. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 466, p. 154. © Fundação Calouste Gulbenkian.